quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Pela metodologia antiga, o IDH brasileiro ficaria em 0,819, ante a 0,813 do ano passado. Na metodologia nova, com IDH de 0,699, o Brasil supera a média mundial, que é de 0,624.
Mais algumas informações:

Os 10 primeiros colocados:

1- Noruega 0,938
2- Austrália 0,937
3- Nova Zelândia 0,907
4- Estados Unidos 0,902
5- Irlanda 0,895
6- Liechtestein 0,891
7- Países Baixos 0,890
8- Canadá 0,888
9- Suécia 0,885
10- Alemanha 0,885
OS dados divulgados agora há pouco pela ONU colocam o Brasil na 73a posição, numa lista de 169 países com IDH de 0,699. Cabe ressaltar, no entanto, que o IDH brasileiro não caiu, a metodologia ficou mais exigente e isso para todos os países. Se recalculado, com a nova metodologia, o IDH brasileiro cresceu 0,8% de 2000 para cá e o Brasil melhoria de posição.

Eis alguns dados do IDH 2010:

IDH: 0,699 (alto desenvolvimento humano)
Rendimento anual per capita U$10.607
Expectativa de vida: 72,9 anos
Escolaridade: 7,2 anos de estudo
Expectativa de vida escolar - 13,8 anos de estudo

Índice de Pobreza Multidimensional: 8,5%

O IDH 2010 comerora 20 anos e, em comemoração, e para aperfeiçoamento, vários novos indicadores foram incorporados. A metodologia se tornou mais rígida e mais detalhada. Com desvios negativos, por exemplo, por desigualdade de gênero, renda, etc. Além disso, a educação ganhou novos indicadores. Além da taxa de alfabetização e de taxa bruta de matrícula, agora é preciso estar na série correta, por exemplo.

A nova metodologia tornou o IDH muito mais complexo, porém muito mais depurado. Amanhã, falaremos mais sobre as peculiaridades do IDH 2010 divulgado hoje pela ONU.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Olá, amigos e visitantes do Blog! É com muita ansiedade que aguardamos a divulgação do próximo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2010 (com dados de 2008) a serem divulgados amanhã pelas Nações Unidas. Assim que tivermos os dados disponiveis, colocaremos aqui para vocês e faremos análises e comparações em relação ao último relatório divulgado (2009 com dados de 2007).

Além disso, uma nova e mais abrangente maneira de se determinar as condições de vida e de pobreza em um país será divulgada em substituição ao IPH (Índice de Pobreza Humana). O novo indicador, Multidimensional Poverty Index (MPI), que, em português, deve se chamar de Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), avaliará diversos ítens, tais como saneamento básico, água potável, eletricidade, nutrição, etc. Fará parte da lista aqueles que tenham privação de pelo menos 30% dos ítens levantados. Segundo um relatório bem resumido e já disponível, o Brasil tem 12% de pessoas consideradas pobres, sendo que a maioria - 8,5% - está no patamar dos 30%, ou seja, no limite superior entre a pobreza e a não pobreza.

http://hdr.undp.org/en/statistics/mpi/ (link disponível dissertando acerca do MPI)
http://www.ophi.org.uk/wp-content/uploads/Brazil.pdf (link específico do Brasil)

Aguardemos agora a divulgação do IDH 2010.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Olá, amigos do Blog!

Sei que preciso atualizá-lo mais e agora farei isso com mais frequência para que sempre que vcs passem por aí tenha alguma novidade!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Engodo Capitalista





O capitalismo, para esclarecimento, baseia-se num sistema econômico em que a maior parte do capital é privada, isto é, encontra-se na mão de pessoas e não do Estado. O mercado deve ser gerido “livremente” e “espontaneamente”, sem que haja a interferência do Estado (no caso do neoliberalismo máximo) ou com pouca interferência do Estado (no liberalismo). Existe ainda uma corrente denominada anarco-capitalista, que acredita não haver necessidade de um Estado (nem para garantir os direitos básicos de um cidadão), pois a Economia se autorregularia.

A característica marcante para se obter o capital em um sistema capitalista é a obtenção do lucro. O lucro, por sua vez, pressupõe o aumento e a acumulação do capital. Como isso ocorre? De várias maneiras. Quando se compra um apartamento, por exemplo, não para morar, mas para investir. Provavelmente a pessoa que comprou fez um estudo daquela área e viu que ela tende à valorização. Dessa forma, caso paguemos 130 mil num apartamento, ao final, podemos vendê-lo por 260 mil, sendo que a inflação real desde a compra, até a venda foi de 10%. Caso não tivesse havido nenhuma valorização, então o apartamento valeria 143 mil reais e não existiria acúmulo de capital. Porém, como o imóvel passou a valer 260 mil, então ocorreu uma valorização real de 55%, portanto o lucro gerado foi de 55%. Outro exemplo ocorre com as lojas, sejam as mais diversas. O custo final de um produto decorre da matéria prima + mão de obra + despesas + lucro. Mas o lucro é legítimo, o lucro é ético?
Para respondermos a essa questão, devemos pensar nos preceitos de uma vida social. Pode coexistir cooperação e disputa ao mesmo tempo? Se sim, como? Pode um cidadão lucrar, isto é, ter vantagem sobre o outro (pois no lucro há sempre o que ganha, mas, em contrapartida, há sempre o que perde)? Ainda que consideremos o lucro legítimo alicerçado por um argumento meritocrático, como, caso todos resolvessem lucrar, uma sociedade capitalista funcionaria? Em outras palavras, se todos fossem donos do capital, qual/quem seria a força de trabalho, o proletariado? Como se daria a relação entre empregador e empregado se essa passaria a não existir? A partir dessas indagações fica óbvio que em um sistema capitalista, sempre haverá os que perdem e os que ganham, pois ele próprio se destruiria caso houvesse uma equiparação de capitais. E, nessa perspectiva, como poderia funcionar um sistema em que todos resolvessem estudar, instruir-se e ocupar cargos considerados altos ou ainda caso todos resolvessem ser empreendedores? O sistema simplesmente ruiria, pois as dicotomias entre capital x empregado entre o que lucra x o que perde estariam acabadas.

Decorre do problema gerado acima uma outra premissa falsa do capitalismo: a ideia de mobilidade social. Falsa, pois o capitalismo prega que todos podem construir uma vida melhor caso batalhem para isso (em oposição ao sistema feudal, por exemplo, em que a mobilidade social é praticamente nula). O que os defensores do sistema capitalista se esquecem de dizer é que a mobilidade social, embora ocorra de fato, é limitadíssima e o próprio sistema a limita. Não há espaço para grandes mobilidades sociais e se essas acontecem há prejuízo de outros grupos sociais. Peguemos o exemplo brasileiro atual que é a ascensão da classe C, ou seja, a subida na pirâmide social de uma camada da população que outrora era considera pobre e agora passa a integrar a classe média baixa. Pode ser que, em um contexto nacional, nenhuma pessoa esteja perdendo e, por isso, encontramos dificuldades em perceber isso. Mas em um panorama global será que não houve perda? Para ilustrar melhor a situação, ainda que praticamente todos os países do globo tenham melhorado de situação, caso os seus dados sejam comparados aos de 1970, a diferença entre os países ricos e pobres aumentou. O PIB per capita dos países ricos cresceu mais que o dobro de 1970 até hoje em comparação com os países pobres, ou seja, apesar de ter havido uma melhoria geral, a DIFERENÇA, que é o cerne capitalista não se alterou. Voltemos agora ao Brasil. Apesar de os indicadores sociais terem aumentado para todos, a concentração de renda medida pelo índice GINI permaneceu praticamente inalterada. Na verdade, o GINI brasileiro de 1960 era mais baixo, ou seja, o Brasil era mais igual que o GINI dos anos 90. Durante a época da ditadura, apesar de ter ocorrido o “milagre econômico” e o Brasil ter crescido, em média 7% ao ano, a concentração de renda e o GINI brasileiro só aumentaram. Após anos de aumento, finalmente, com a implantação do Plano Real e, posteriormente com o governo Lula, o GINI começou a cair de maneira discreta. Ainda assim, a queda é praticamente irrisória. Se não houve grande diferença na concentração de renda no Brasil, podemos falar de fato em uma igualdade social ou apenas na melhoria geral dos brasileiros em que a diferença entre ricos e pobres permaneceu praticamente inalterada?

Mais uma vez fica claro que a diferença entre classes sociais, a ideia falsa de ascensão social para todos e o estreitamento das diferenças são prerrogativas inatingíveis pelo capitalismo. Por conseguinte, como podemos viver de maneira social pensando de maneira individual? Parece-me muito contraditório ao ponto de o status quo ser bem temeroso em relação a isso, moldando-nos, como já dizia Althusser, através de aparelhos ideológicos de estado (AIE) e os aparelhos coercitivos de estado (ACE). Claro que essa moldura é sutil e difícil de ser percebida, pois uma vez que já nasçamos com a ideologia capitalista, tendemos a interiorizar essas ideias como sendo naturais e achando absurdas e utópicas outras concepções político-filosóficas de meios de produção. Mais absurdo ainda é quando pegamos exemplos mal sucedidos de implantação de outros sistemas ao redor do mundo. Mas será que esses sistemas funcionaram conforme os seus precursores pensavam e mais será que a implantação desses sistemas e as suas possíveis falhas não foram bem engendradas pelos próprios capitalistas a fim de minar qualquer possibilidade de que outros países adotassem DE FATO outras ideologias?

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Paradoxo da Classe C: Onde ela está?



O Paradoxo da Classe C: Onde ela está?

Desde 2008, com a divulgação de dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), IBGE e IPEA (Instituto de Pesquisas Econômica e Aplicada), uma nova classe, até então pouco relevante, surgiu como o pilar da economia brasileira, tornando-se a grande vedete do comércio, da consolidação da classe média e da diminuição da pobreza no Brasil. É a classe C, a nova classe média. Mas o que é a classe C? Ela é de fato classe média?

Existem algumas discordâncias para estabelecer exatamente quem pertence à classe C. Para a FGV, famílias que ganhem entre 1.115 a 4807 reais pertencem a essa camada, ou seja, a camada média na pirâmide social brasileira. Um grande problema já decorre exatamente desse intervalo tão longo de mais de quatro vezes entre os limites inferior e superior. Outro problema é a não-análise da renda per capita dessas famílias. É muito difícil acreditar que uma pessoa que viva sozinha e ganhe 4.800 reais pertença à mesma classe social de uma família com cinco pessoas com rendimentos de 1.200 reais. Não seria o critério da renda per capita mais interessante e real?

Já para o IBGE, a classificação mais usual é a de que a Classe C se situe entre famílias com rendimento entre 3 a 10 salários mínimos. Mais uma vez, uma metodologia pouco esclarecedora e equivocada. Três salários mínimos são 1530 reais, 10 salários mínimos são 5100 reais. O triplo de diferença. Além disso, mais uma vez, é irreal pensar que uma família de cinco pessoas que tenha renda mensal de 1600 reais pertença à mesma classe de uma composta por um casal, por exemplo, com ganhos de cinco mil reais.

Dessa forma, podemos concluir, a priori, uma conceituação muito confusa do que seja a nova classe média brasileira. Claro que, quando se fala em classes sociais, há os intervalos máximos e mínimos, mas esses intervalos devem estabelecer as necessidades mínimas que caracterizem certa classe social, o que não ocorre com nenhum dos dois critérios;

Em primeiro lugar, devemos pensar o que é a classe média? Para o senso comum e para os principais institutos de pesquisa, classe média é a faixa da população que se situa entre a elite e a pobreza, por isso média. Para isso, contudo, os indivíduos desse segmento social devem apresentar algumas semelhanças: ter dinheiro para prover a alimentação de todos do lar, casa, vestuário, transporte, lazer. É justamente esses fatores, dentre outros, que separam a classe média da pobreza.

Em segundo lugar, há a necessidade de se pensar no custo de vida médio do país e talvez até por regiões, quando são estabelecidos os intervalos de classificação. Nesse contexto, que entra uma grande contradição entre os diferentes institutos de pesquisa. Para o DIEESE, que analisa o custo de vida nas principais cidades brasileiras, para uma família de quatro pessoas, manter-se minimamente com todos os preceitos mínimos do que seria o limite inferior da classe média, o rendimento deveria se situar na faixa dos 2.000 reais.

Em conseqüência do segundo problema, temos a divergência do que os principais institutos de pesquisa consideram classe média e o custo de vida real para pertencer à classe media. Pelo menos, acharíamos estranho, dentro desse contexto, acreditar que uma família de quatro pesssoas que ganhe menos de 2.000 reais pertença à classe média. Erro maior ainda é colocar dentro da mesma categoria pessoas que vivem com mais de duas vezes o necessário e pessoas que sobrevivem com quase a metade do necessário. O único contra-argumento plausível seria por em xeque a credibilidade do Dieese ao se analisar o mínimo necessário. Para isso, no entanto, precisaríamos de outras fontes que calculassem esse valor e como carecemos delas, até podemos questionar esses valores, mas não usar como referência outros institutos. Se não usarmos esse parâmetro, então utilizaremos qual?

Partindo dessa remuneração mínima, seria interessante agora nos perguntamos qual a parcela da classe C que se situa na faixa dos 1.200 aos 2.000 reais? Segundo o governo, pegando como referência a FGV, mais da metade dos brasileiros fazem parte da classe C. Mas nada mencionam sobre os que fazem parte da classe C cujos rendimentos familiares estejam entre 1.200 a 2.000 reais.

Um outro problema ao se falar da ascensão de pessoas das classes D e E (as categorias mais baixas da pirâmide social) ocorre quando inserimos outros dados na análise. A concentração de renda no Brasil, embora tenha caído, segundo as principais entidades de pesquisas e indicadores, ainda permanece muito alta. Ademais, a queda foi discreta. E mais, o Brasil permanece, segundo a ONU, como um dos países mais desiguais do mundo. Segundo as Nações Unidas, a diferença entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres no Brasil é a quinta maior do mundo, empatando com o Equador e ficando a frente somente de países como Bolívia, Madagáscar, Tailândia, Haiti e Camarões. Ora, se houve real ascensão da camada mais baixa da população para a classe C, como os indicadores de disparidades sociais caíram tão pouco?

Não seria mais interessante pensar que houve um aumento real de salário de uma maneira geral dos brasileiros e não de ascensão social? Por exemplo, com relativa estabilidade financeira, ajudas sociais do governo e maior oferta de crédito, a grande massa da classe D passou a ser considerada classe C. Quem antes tinha rendimento mensal de 800 reais, passou a ter rendimento mensal de 1.200 reais, por exemplo. Mas será que a vida delas de fato melhorou ou esse aumento de salário acompanhou o aumento da inflação? Qual ganho real teve essa pessoa cujo rendimento passou de 800 para 1.200? Além disso, o poder de compra dela de fato aumentou ou ficou facilitado por empréstimos, cartões de crédito e parcelas a perder de vista? É difícil pensar numa ascensão tão brutal das classes mais baixas para a classe C, sendo que a distribuição de renda brasileira não sofreu muita alteração. Como isso se deu então? E se houve uma melhoria no Brasil por que o país despencou dez posições no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) divulgado anualmente pela ONU? É verdade que o IDH brasileiro melhorou, mas menos que a média mundial, o que fez com que o país perdesse algumas posições. Mas se houve grande ascensão social, se a classe média agora é majoritária no país, então algumas dessas pesquisas ou mais de uma está bastante equivocada. Todos os dados, quando comparados, entram em paradoxo e criam conflitos. Onde está a classe C?